A ciência e o princípio da evidência positiva

Michael ShermerO método da convergência de evidências e o método comparativo são rotineiramente usados por paleontólogos e biólogos evolucionários para testar hipóteses sobre a evolução, e os resultados são acumulados na forma de evidências positivas que confirmem a teoria da evolução. Para rejeitar a evolução, os criacionistas precisariam desatar todas essas linhas independentes de investigação e construir uma teoria contrária capaz de explicá-las melhor que a teoria da evolução. Eles não o fizeram. Ao contrário, só utilizam evidências negativas do tipo: “Se os biólogos evolucionários não podem apresentar uma explicação natural para X, então a explicação sobrenatural deve ser verdadeira”. Não é assim. O princípio da evidência positiva afirma que é preciso ter evidências positivas em favor de uma teoria, e não apenas teorias negativas de teorias rivais.

O princípio da evidência positiva se aplica a todas as alegações. Os céticos são pessoas do tipo “mostrem-me”. Mostrem-me as evidências positivas de sua alegação. Mostrem-me o corpo do Abominável Homem das Neves. Mostrem-me os artefatos arqueológicos de Atlântida. Mostrem-me um Tabuleiro Ouija que soletre palavras com participantes vendados. Mostrem-me uma quadra de Nostradamus que tenha previsto a Segunda Guerra Mundial ou o 11 de Setembro antes (não depois) do fato. (Pós-visões não valem na ciência por causa da tendência retrospectiva.) Mostrem-me evidências de que medicamentos alternativos funcionam melhor que placebos. Mostrem-me um ET ou levem-me a uma nave-mãe. Mostrem-me um Designer Inteligente. Mostrem-me Deus. Mostrem-me, e eu acredito.

A maioria das pessoas (inclusive cientistas) trata a questão de Deus separada de todas essas alegações. Elas estão certas ao fazer isso, uma vez que a alegação particular nessa questão não pode — mesmo em princípio — ser examinada pela ciência. Mas o que ela poderia incluir? Muitas alegações religiosas são testáveis, como a de que a oração influencia positivamente a cura. Nesse caso, experimentos controlados realizados até agora não mostraram nenhuma diferença entre pacientes que tiveram orações pela sua cura e os que não tiveram. O que me forçaria a acreditar seria algo inequívoco, como o crescimento de um membro amputado. Os anfíbios fazem isso. A nova ciência de medicina regenerativa parece em via de ser capaz de fazê-lo. Com certeza, uma divindade onipotente o faria.


FONTE

Michael Shermer. Cérebro e Crença. 2012.

Power Balance e o Efeito Placebo

Power BalanceFundada em 2007, a empresa Power Balance lançou um produto conhecido como “pulseira do equilíbrio”, que prometia aumentar a força, o equilíbrio e a flexibilidade de quem a usasse, porque possuíam hologramas que interagiam com o campo eletromagnético do corpo. Sem mostrar nenhuma evidência científica, a marca optou por fazer um marketing pesado oferecendo a pulseira à jogadores como Cristiano Ronaldo e David Beckham, ao lutador Anderson Silva e também ao piloto Rubens Barrichello, o resto da divulgação ficou por conta do “boca-a-boca”.

O uso do produto remete a uma outra prática antiga, a da cura por cristais, a qual é realizada até hoje. Nos dois casos, a explicação mais plausível é feita através do Efeito Placebo, onde o paciente apresenta melhoras após ser submetido a um tratamento ou medicamento inerte. O Placebo é muito usado quando a intenção é testar um novo medicamento, podendo esse medicamento ser também um cristal que dizem aliviar o estresse e melhorar os problemas emocionais.

Em setembro de 2010, a Power Balance interrompeu a divulgação dos “benefícios” do produto, por determinação da Anvisa. Em dezembro do mesmo ano a filial australiana admitiu que as pulseiras não têm comprovação e ofereceu o reembolso a quem se sentiu lesado, no Brasil não houve reembolso das pulseiras que chegavam a R$100.


LEITURAS RECOMENDADAS

Kentaro Mori. “Pulseiras do equilíbrio”, Power Balance, não funcionam. Ceticismo Aberto. 25 de Agosto de 2010.

Felipe Ventura. Pulseiras da Power Balance não funcionam, admite empresa. Gizmodo. 4 de Janeiro de 2011.

—, Empresa de Pulseiras “Power Balance” é Obrigada a Pagar Indenização Milionária. Visão. 22 de Novembro de 2011.

—, Power Balance. Wikipedia.

A pseudociência dos “Alcoólicos Anônimos”: Há uma maneira melhor de tratar a dependência

Alcoólicos Anônimos

Em 76 anos desde que a Alcoólicos Anônimos (AA) foi criada, os programas de “12 passos” se expandiram em mais de trezentas organizações diferentes, com foco em questões diversas como o tabagismo, furtos, fobia social, a dívida, a recuperação de incesto, e até mesmo vulgaridade. Ao todo, mais de cinco milhões de pessoas recitam a oração da serenidade em reuniões nos Estados Unidos todos os anos.

Os programas de “12 passos” têm um lugar privilegiado em nossa cultura também. As legiões de membros “anônimos” que compõem esses grupos são ajudadas na sua missão de proselitismo por programas de TV como “Intervention” (agora cancelada), que prega o “evangelho da recuperação”.

Os programas são quase sempre divulgados de forma acrítica, são apresentados como a única e verdadeira esperança para vencer o vício. A “AA”, inclusive, foi codificada em nosso ordenamento jurídico: atendendo o mandato jurídico que começou no final de 1980, ainda hoje é considerado um marco na política contra drogas. Todos os anos, nossos governos estaduais e federais gastam mais de 15 bilhões de dólares com tratamentos de abusos substanciais para os viciados, a grande maioria dos quais são baseados nos programas de “12 passos”. Há apenas um pequeno problema com estes programas: eles quase sempre falham.

Estudos revisados por pares atrelam que a taxa de sucesso dos “AA” é de 5% e 10%. Ou seja, cerca de um em cada quinze pessoas que entram nesses programas é capaz de se recuperar. Em 2006, uma das organizações de pesquisa científica de maior prestígio no mundo, a Cochrane Collaboration, realizou a revisão de vários estudos realizados entre 1966 e 2005 e chegou a uma conclusão surpreendente: “Não há estudos experimentais demonstrando a eficácia da “AA” no tratamento do alcoolismo”. Este grupo chegou à mesma conclusão sobre o tratamento profissional orientado para a “AA” (terapia de facilitação de 12 passos, ou TSF), que é o núcleo de praticamente todos os programas de “alcoolismo-reabilitação” no país.


LEITURAS RECOMENDADAS

Lance Dodes and Zachary Dodes. The Pseudoscience of Alcoholics Anonymous: There’s a Better way to Treat Addiction. Salon. Mar 23, 2014

Lance Dodes and Zachary Dodes. The Sober Truth: Debunking the Bad Science Behind 12-Step Programs and the Rehab Industry. March 25, 2014.

O caso do Pé-Grande de 1967

Pé-Grande de 1967O famoso avistamento aconteceu em 1967, quando Roger Patterson e Robert Gimlin pretendia filmar um macaco bípede. A filmagem, extremamente instável, mostra o Pé-Grande andando pelas árvores a poucos metros, a parte mais famosa do filme é quando a suposta criatura se vira brevemente para a câmera com uma expressão que Patterson descreveu como “desprezo e nojo”.

Os céticos e os cientistas analisaram o filme e chegaram a conclusão de que ele é uma farsa e que provavelmente era só um cara fantasiado de macaco, baseando-se no fato de que há pouca evidência corroborando este encontro e existem algumas inconsistências nas histórias de Patterson e Gimlin.

Uma das controvérsias importantes do filme é a taxa de quadros em que foi filmado: se a velocidade era de 16 frames por segundo (fps), alguns “pesquisadores” e criptozoólogos afirmam que a marcha e o passo da “criatura” não seria consistente com um ser humano em uma roupa de macaco, mas em 24 fps ele ficaria exatamente como um humano em um terno de macaco.

O filme super trêmulo torna-se quase impossível confirmar a taxa de frames. Patterson lucrou mostrando o curta-metragem em salas de cinema em todo o noroeste do Pacífico e aparecendo em uma série de talk shows. Embora não tenha havido nenhuma prova conclusiva de qualquer forma sobre a autenticidade do filme, Patterson foi para seu túmulo jurando que era real.


FONTES

Michael Dennett. Science and Footprints. Skeptical Inquirer. December, 2008.

Ben Radford. Among the Bigfooters. Skeptical Inquirer. July 29, 2006.

Karen Stollznow. Hoaxes: For Better or for Worse. Skeptical Inquirer. November 19, 2010

Ben Radford. Bigfoot at 50 Evaluating a Half-Century of Bigfoot Evidence. Skeptical Inquirer. April, 2002.

—, Bigfoot. Rational Wiki.

Brian Dunning. The Patterson-Gimlin Bigfoot Film. Skeptoid Podcast. August 13, 2013.

Kal Korff and Michaela Kocis. Exposing Roger Patterson’s 1967 Bigfoot Film Hoax. Skeptical Inquirer. August, 2014.

Kentaro Mori. Pé-Grande Ninja. Ceticismo Aberto. 16 de Janeiro de 2007.

Kentaro Mori. Quadro 352? Ceticismo Aberto. 20 de Março de 2006.

A formação “quase” perfeita das pirâmides

A Estrutura da PirâmideQuando olhamos para as pirâmides, vemos uma evolução óbvia de design e da clara evidência arquitetônica de tentativa e erro. A pirâmide egípcia é o resultado de séculos de desenvolvimento, experiência e adaptação. Um bom exemplo é a pirâmide curvada em Dahshur. Na verdade, o design desta pirâmide foi alterado durante a sua construção — É de se perguntar o porquê alienígenas usariam uma abordagem tão primitiva.

“Originalmente, os arquitetos haviam planejado que a pirâmide teria um ângulo de 60º. No entanto, o ângulo foi reduzido para cerca de 55º, logo após a construção e, portanto, foi necessário alargar a base. Em cerca de 45 metros acima do solo, o ângulo foi alterado mais uma vez, para um declive mais gradual de 43°.”


LEITURAS RECOMENDADAS

—, The Evolution of the Egyptian Pyramid. Tour Egypt.
OLIVEIRA D.R.A., Alienígenas do Passado Desmascarado. Universo Racionalista. 2013.
—, How “Stonehenge” Was Built? O vídeo mostra como grandes objetos eram movidos sem máquinas.
OLIVEIRA D.R.A., Cientistas Descobrem como os Egípcios Moveram Pedras Gigantes para Formar as Pirâmides. Universo Racionalista. 2014.